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DICAS

1/3/2010 11:47:58
Criança saudável pratica atividade física
Não importa a idade, a binômia alimentação adequada e atividade física é o que vale.

Apesar das dificuldades que a vida nos grandes centros urbanos impõem, como a sedução do fast food e alimentos industrializados, o cerceamento da atividade física espontânea e a forte concorrência da televisão, games e computador, esse é um investimento com retorno assegurado: a qualidade de vida que os baixinhos terão.

Tudo começa no exemplo dos pais.

Para o professor da Escola Paulista de Medicina e fisiologista do Departamento de Futebol do São Paulo, Turíbio Leite de Barros Neto, de nada adianta tentar empurrar alimentos saudáveis ou impor a prática de uma modalidade esportiva muito cedo se os pais não prestam atenção à sua própria dieta e são sedentários.

Também coordenador do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte (Cemafe), o especialista afirma que as dúvidas e inseguranças dos pais só serão esclarecidas na medida em que eles ampliarem o leque de informações sobre o melhor para seus filhos. E adotarem para si próprios um modelo saudável de vida. E, importante, não são apenas conceitos profissionais. Turíbio, aos 51 anos, tem seis filhos. O Daniel tem 26 anos, Luiz Fernando, 22; André, 20; Diego, 19; Gabriela, 15, e Isabela, 12. "Acho que a mensagem ficou."

Alô Bebê Club - Quais as dificuldades básicas enfrentadas hoje pelos pais quando o assunto é assegurar alimentação de qualidade para os filhos?
A ansiedade de fazer a criança se alimentar dificulta o processo. Muitas vezes, as mães oferecem mais comida do que o filho precisa, especialmente nas idades mais precoces. Quem nunca comeu um aviãozinho? A tendência, com isso, é preparar o filho para ser obeso. A idéia de que o bebê gordinho é mais saudável é uma herança cultural, um conceito equivocado, mas vem mudando. Na verdade, não é necessário empurrar a comida para a criança, ninguém precisa ser distraído para comer. É uma questão de esclarecimento dos pais.

Alô Bebê Club - E quanto à prática de atividades físicas, o outro elemento para a conquista de uma vida mais saudável?
Hoje, nos centros urbanos, há um cerceamento da atividade física espontânea. Como brincar de forma ativa se não há muitos espaços para isso? Há algumas décadas, o ambiente era mais livre, assim como o contato com a natureza, o que permitia à criança ser naturalmente mais ativa. Naquela época os hábitos de lazer eram brincadeiras que envolviam a atividade física, as crianças se exercitavam espontaneamente, sem um adulto por perto para necessariamente estabelecer regras. Na atualidade, a criança passa a ser seduzida pela televisão, videogame e computador.

Alô Bebê Club - O que os pais podem fazer para mudar isso?
É uma competição desleal. Muitas vezes é cômodo deixar as crianças em frente à televisão, até por questões de segurança. A primeira alternativa que se tem é o exemplo. Se os pais são os primeiros a ficar horas à frente do computador ou da televisão, como exigir que a criança faça diferente? As alternativas para a prática de atividades físicas não são muito diversificadas. Temos parques, academias e clubes poli esportivos, o que pressupõe a necessidade de intervenção do adulto. É importante que os pais estejam tranqüilos com relação à sua responsabilidade de possibilitar uma vida saudável aos filhos.

Alô Bebê Club - O que seria ideal em termos de prática esportiva para uma criança?
Praticar uma atividade física com a frequência mínima de três vezes por semana durante pelo menos uma hora. Isso não significa necessariamente a prática de um esporte, pode ser brincar no parquinho. Porque se você perguntar para a criança o que ela quer fazer, a resposta vai ser brincar.

Alô Bebê Club - Pode se dizer que há mitos a esse respeito?
Sim, muitos mitos. O mais comum é os pais escolherem um esporte para o filho ainda pequeno. Muitas vezes são vaidosos e querem se realizar através dos filhos. Acham que a natação é o mais completo e pronto. De fato, é o esporte mais completo, desde que a criança sinta prazer na sua prática. Outros escolhem o judô, com o argumento de que é um aprendizado de defesa, ou o ballet porque é bonito. Há também o conceito do futuro campeão. Quase sempre o comportamento dos pais mostra um contraste muito grande: nada, ou um investimento excessivo, o que é um crime.

Alô Bebê Club - Como escolher, então, a melhor atividade física para os filhos?
Se houver solicitação da criança por determinado esporte, devemos aceitar. A opção deve ser da criança. É muito importante estar atento ao aspecto lúdico. A criança deve se exercitar brincando. Quanto menos rotina e interferência do adulto, melhor. E também ter flexibilidade, permitir à criança mudar de idéia. Se resgatarem suas próprias experiências quando crianças, os pais devem tentar se lembrar: quando alguém o obrigou? Vale dizer que programas de treinamento são abomináveis em idades mais precoces.

Alô Bebê Club - Existe uma idade ideal para começar a prática regular de um esporte?
O estímulo para os filhos se engajarem em programas competitivos deve acontecer a partir da puberdade - algo em torno dos 12 anos -, quando a criança está habilitada fisiologicamente para isso. Antes dessa idade, a prática não adequada de um esporte pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento. Também é importante não ter compromisso com o desempenho ou performance. Os pais têm a obrigação de preservar a ludicidade em qualquer atividade física que propõem aos filhos.

Alô Bebê Club - Quais os benefícios de uma alimentação saudável e da prática de atividades físicas para a criança?
A prevenção de problemas associados a uma vida sedentária e a prevenção da obesidade, um dos grandes fantasmas do milênio. Conseqüentemente, estaremos prevenindo, nas futuras gerações, doenças como hipertensão, diabetes, colesterol aumentado e doenças crônico-degenerativas. O estímulo à saúde física e mental da criança permitirá também maior apoio para se livrar de drogas e maus hábitos.

Alô Bebê Club - Que dicas o senhor daria para os pais preocupados com essas questões?
O que funciona é o bom senso. Restrições ou exigências absolutas não resolvem. Ter um filho atleta depende mais de herança genética que de incentivo dos pais. A proposta é querer que a criança seja ativa e, para isso, resgatar a ludicidade das atividades. É preciso mostrar que é ativo e reage aos confortos da vida moderna de forma ativa. Pesquisas científicas mostram que pai e mãe sedentários levam à chance quatro vezes maior da criança ser sedentária. Mas, não é preciso ser atleta para servir de exemplo aos filhos.

Alô Bebê Club - Como o senhor educa seus filhos quanto à prática esportiva?
Tenho seis filhos e todos se desenvolveram muito bem, sem problemas. Os meninos sempre foram muito ativos, praticaram esportes e ainda hoje jogam futebol com regularidade. As meninas praticaram natação e até ginástica olímpica, mas sem objetivo competitivos. Não são sedentárias.

Alô Bebê Club - O que dizer sobre meia dúzia de filhos? É um bom número?
O complicado não é o número, mas especialmente lidar com a vulnerabilidade do adolescente. Sou de outra geração e a mudança de costumes foi muito grande. Hoje a relação entre pais e filhos mudou, não se consegue impor mais nada. A minha preocupação maior é com a violência, a exposição dos filhos a ambientes agressivos e sem segurança. Quanto à qualidade de vida no que diz respeito à alimentação e atividade física, acho que a mensagem ficou, todos sempre buscaram essa prática.

Fonte: www.alobebe.com.br

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